Thursday, May 10, 2012

Carlos Lyra 1963


Carlos Lyra

BOSSA NOVA DEU TUDO A CARLOS LYRA

Revista do Radio, 6 Abril 1963

Carlos Eduardo Lyra nasceu no bairro do Botafogo, no dia 11 de maio de 1933. Fã de futebol, torcedor do Botafogo, é sobrinho de Henrique Barbosa, que já chefiou inúmeras delegações do alvi-negro ao estrangeiro. Toda sua familia tem grande musicalidade. Seu avô era compositor, seu tio-avô também; sua mãe tocava violão, sua tia tocava piano e o tio Edgard é um exímio violonista e foi quem o estimulou a tocar o instrumento.

Carlos Lyra, apesar de ter tantos músicos na família, aprendeu a tocar vilão sozinho. Frequentou o Colégio Militar, o Colégio Pedro II e o Mallet Soares. Sua família é de militares, sendo que seu pai é contra-almirante e tem um irmão aspirante, no momento em viagem de instrução.

Ele estava se preparando para estudar arquitetura, quando largou tudo por causa da música. Compõe desde 1955, coincidindo o seu aparecimento com o lançamento da bossa-nova. Sempre procurou compor samba sincopado, diferente da batida tradicional. Com o   aparecimento de João Gilberto, que é, na opinião de Carlos Lyra, o melhor violonista, apareceu a bossa-nova,  que é o rítmo sincopado em lugares diferentes do que se costuma ouvir no samba tradicional.


Bené Nunes foi quem lançou Carlos Lyra no meio artístico, sendo por ele considerado seu padrinho artístico. Bené e espôsa estimularam Carlos Lyra, convencendo-o a ser músico profissional. Foi também Bené Nunes quem lhe deu o primeiro emprêgo, como violonista de seu conjunto nas apresentações na Sociedade Hípica e em viagens.

Seu segundo padrinho foi Marino Pinto, que ouvindo suas músicas, levou-o à Philips. A direção da gravadora pediu que ele mesmo cantasse as músicas gravando-as numa fita, para serem mostradas aos cantores de lá. Mas ouvindo o ‘tape’, mais tarde, acharam melhor contratar Carlos Lyra e fizeram o LP ‘Carlos Lyra Bossa-Nova’. Depois veio ‘Carlos Lyra’, seu segundo LP. O teceiro que se chama ‘Depois do Caranaval, o Sambalanço de Carlos Lyra’. Ele ainda aponta outros padrinhos musicais seus que são: Ary Barroso, Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Musicou duas peças infantis: ‘A gata borralheira’ e ‘Marroquinhas Frou-Frou’, de Maria Clara Machado. Depois musicou varias peças como ‘Almas Mortas’, de Gogol,A mais valia vai acabar, seu Edgard’, de Oduvaldo Viano Filho e ‘O Testamento do Cangaceiro’.

Escreveu com Vinicius de MoraesPobre menina rica’, a primeira peça musicada brasileira, que vai inaugurar o Teatro de Manchete, dirigida por Flávio Rangel. Para este mesmo diretor escreveu a música do filme ‘Gimba’.

É casado com Vera Gertel, que era uma das melhores atrizes brasileiras, tendo atuado em ‘Eles não usam black-tie’, de Gianfrancesco Guarnieri, mas que abandonou a carreira ao casar.

Como sempre acha que, como autor é ‘roubadíssimo’, fundou a Editora Bossa-Nova dos Compositores, com Vinicius, Tom, Baden Powell e Roberto Menescal, que é administrada por Maurício Marconi. Graças a isso, já vendeu os direitos de vários sambas seus para os EUA à razão de 1.000 dólares cada um, sem perder os direitos para outros países. Até agora tem vivido mais como artista que como compositor, mas acha que agora poderá viver como composiotr, embora a venda de discos no Brasil não compense.

Para tomar parte no concerto de bossa-nova no Canegie Hall em novembro de 1962, Carlos Lyra seguiu para os Estados Unidos, onde ficaria por 15 dias e levava consigo o filme ‘Couro de Gato’, que êle musicou e que deveria apresentar na Semana do Cinema Brasileiro em New York, organizada pela sra. Dora Vasconcellos, consulêsa do Brasil. Acabou ficando muito mais tempo. Vai abrir a Academia Bossa-Nova, junto com Tom, Vinicius, Baden Powell e Aloysio de Oliveira, que será localizada na rua Dias da Rocha, em Ipanema. Finalizando, declarou Carlos Lyra:

Carlos Lyra, além de ótimo compositor era bonito.

‘Há nos USA ‘picaretas’ brasileiros que se dizem compositores de bossa-nova e não sabem nem o que é ‘bossa-velha’. Laurindo de Almeida andou dizendo que é o inventor da bossa-nova, mas ele nem ao menos conhece o rítmo.’

Carlos Lyra fêz realmente sucesso nos USA. Tem contratos para voltar, ràpidamente, à America do Norte para musicar até filmes! Ficará pouco tempo no Rio, viajando constantemente, como convém a um cartaz internacional. A bossa-nova deu êsse prestígio a Carlos Lyra. Em verdade, deu-lhe tudo: a satisfação de fazer músicas que lhe agradam e empolgam aos outros.

Revista do Radio -  6 Abril 1963.






Carlos Lyra relembra 1963 para Manchete.

CARLOS LYRA DISCOGRAPHY