Sunday, December 23, 2012

Dolores Duran rompe com os Comunistas - 1958




Dolores Duran, Tito Ramalho e colegas músicos nas ruas de Leningrado no verão de 1958. 

Como visto na postagem sobre a excursão de Dolores Duran à União Soviética no verão europeu de 1958 - Dolores teve uns desentendimentos com os organizadores da empreitada que resultou em sua recusa de continuar com a troupee que seguiu em caravana para a China Vermelha de Mao Tse Tung. 

Dolores abandonou a excursão e voltou à Paris, onde ficou por algum tempo (duas semanas?), fazendo aquilo que queria. Chegando ao Rio, Dolores deu uma entrevista exclusiva ao colunista Mister Eco, que a publicou no Diário Carioca de 21 de Setembro de 1958.  Revista dos Espetáculos - Mister Eco.

Dolores Duran deixa Kruschev sem flores

Um grupo de artistas brasileiros partiu, faz meses, em excursão através dos países da chamada Cortina de Ferro, sob os auspícios do Ministério da Cultura e da União Soviética. Os encarregados de convidar os artistas e chefiá-los durante a viagem e nas apresentações em terras estrangeiras foram o sr. Alberto Carmo e o jornalista Souza Lima. Fizeram parte da comitiva - e alguns ainda estão fazendo - os cantores, além de Dolores Duran, Jorge Goulart, Maria Helena Raposo, o Conjunto Farroupilha, Nora Ney, o instrumentista Paulo Moura e mais seis músicos.

As primeiras notícias chegadas da Rússia eram das mais auspiciosas quanto ao êxito de toda a turma. De repente, porém, rumores pouco lisonjeiros e desairosos começaram a circular, nascidos de cartas particulares dos próprios organizadores da excursão, nas quais até questões de honra estavam em jogo, ressalvando-se, entretanto a parte artística. Os boatos haveriam de entrar em crescendo quando a excelente cantora Dolores Duran, Paulo Moura e mais dois músicos se desligaram do grupo, em Moscou, recusando-se a seguir para a China Comunista.

De Moscou, Dolores Duran foi fazer Bruxelas e Paris, até que os rublos ganhos lhe permitissem. Retornou a estes brasis amados há poucos dias. Noite destas, em reunião amiga, Mister Eco teve oportunidade de conversar longamente com Duran. A Bochecha Famosa fez revelações curiosas sobre sua experiência atrás da Cortina de Ferro. Tão interessantes que, a pedido do Augusto Mister, autorizou que as mesmas fossem transformadas em reportagem,

Sucesso Artístico

Até o momento em que fiz parte do grupo e só até esse momento eu posso falar - conta Dolores Duran - só conhecemos o sucesso. Onde quer que nos apresentássemos, éramos recebidos sob calorosos aplausos. Ensaiamos, inicialmente, em Moscou, com uma orquestra mista de brasileiros que foram conosco e também músicos russos. Estreamos, porém, em Leningrado, num teatro de madeira, a que os soviéticos chamam de "teatro de verão". Seguimos depois para Kiev, Lvov, Kichenhoff e, finalmente - finalmente para mim, porque os demais continuariam - Moscou, onde nos exibimos, durante oito dias, no Parque do Soldado Soviético e no Parque Górki. A nossa permanência em cada cidade era de, mais ou menos, cinco dias. Cantávamos com acompanhamento de orquestra, guitarra e ritmo. Com Swing, conhecido contrabaixista e cantor das boites cariocas, eu também dançava - vestida de baiana, como sempre me apresentava - um número de gafieira que fazia o delírio dos russos, interrompido a todo momento pelos aplausos e aos gritos de "spaciba". Os russo aplaudem, agradecendo.

Os Maiores Aplausos

Afora este número, os maiores aplausos foram tributados à voz de Maria Helena Raposo cantando "Abalu-aiê", "Funeral de um Rei Nagô", "Prece" e "Se todos fossem iguais a você".

Do meu repertório, as músicas mais aplaudidas foram "Maria Filó", em ritmo de baião, "A Bahia te espera", "Tumba le le", "Jarro da saudade", "A fia do Chico Brito" e "Bebop do Ceará". Com exceção dessa última, talvez pela palavra "bebop", todas as demais deixei lá gravadas.

Os sucessos maiores de Jorge Goulart foram "Mamãe eu quero" e "Touradas em Madrid".

O outro lado

Renovado o whiskey, Mister Eco quer saber de Dolores o verdadeiro motivo de sua deserção da comitiva. Dolores sorri um sorriso largo e diz que só fazendo suas as palavras de um músico do interior de Pernambuco, também integrante da turma que, num dia de profunda nostalgia em terras soviéticas, perguntava a si mesmo: "- Que é que eu vim fazer aqui? Quando a minha mãe souber que eu estive na Rússia, nunca mais bota a benção..."
E Dolores conta...

Fui convidada, há dois anos, para fazer esta viagem. Insistentemente convidada para viajar como artista, por Alberto Carmo, que já estivera na Rússia - e dela contava maravilhas - e pelo jornalista Souza Lima. A proposta era tentadora. Receberíamos ordenado compensador, sendo que um terço dele em dólares e o restante em rublos. Animada pela promessa da "viagem artística" e pelo desejo de conhecer novas terras, acabei aceitando.
E os dólares?

Em meio da viagem - continua Dolores - fomos avisados por aqueles senhores de que, além dos salários previamente estipulados, receberíamos mais 300 rublos como ajuda-de-custo que o Governo Soviético gentilmente oferecia, de cinco em cinco dias. A notícia foi alvissareira. No dia do primeiro pagamento do nosso ordenado, entretanto, duas surpresas nos aguardavam. Aqueles trezentos rublos da "ajuda-de-custo" foram descontados dos nossos vencimentos. E da parte em dólares, não tivemos qualquer notícia. Os organizadores da excursão nada souberam explicar. Ou não quiseram.

Foi o começo

Você me compreende, Augusto Mister, dólar é dólar, que é que há? O fato de não haver dólares desagradou a todos. Além do mais, pretendiam trazer-nos embaixo de disciplina férrea, nazista, proibindo-nos quase de quaisquer comentários que pudessem desagradar - se lhes chegassem ao conhecimento - os dirigentes soviéticos. E como eu não tenho papas na língua e nasci - graças a Deus - num país livre...

O descontentamento foi tomando corpo. Em Leningrado, o ambiente já não estava bom. Eu e mais alguns músicos já havíamos decidido não seguir para a China Comunista. Em Kiev, na Ucrania, o tratamento a nós dispensado por Alberto Carmo e Souza Lima, somente porque tiveram conhecimento da nossa decisão, era da mais franca grosseria. Comunicamo-lhes, então oficialmente, que, de jeito nenhum seguiríamos para a China. A resposta foi uma ameaça: se não cumpríssemos todo o roteiro, não teríamos a passagem de volta.

Essa, não!

Além das nossas apresentações artísticas, os nossos dirigentes organizavam programas de visitas a fábricas, fazendas-modelo, núcleos operários etc, o qual achavam que devíamos cumprir sem discutir. Insurgi-me. Para ir a uma igreja católica, tive que implorar durante três dias. Viajei, como me haviam dito aqui, em "excursão artística". Nunca me interessaram os credos políticos. Queria liberdade para ver o que bem quisesse. Mas era difícil. Soube que um dos nossos "chefes", o Souza Lima, escreveu um artigo desmerecendo dos brasileiros, dizendo-os analfabetos, atrasados e outras coisas. Mas não o li. Se o tivesse feito, tê-lo-ia trazido comigo. Quando o mesmo foi publicado, nós já estávamos em outra cidade. Os "donos" de todos nós, entretanto, prosseguiam. E, no meu caso particular - nós já estávamos em Moscou - tudo chegaria ao seu clímax, quando me disseram que eu teria que atirar flores no Kruschev... Ah! dei boas gargalhadas, mas "pedi o meu boné" e de maneira irrevogável. Insisti pela minha passagem de volta e acabei vencendo pelo cansaço. Você já imaginou, Mister Eco, eu jogando flores naquele cara? Tinha graça. Essa, não, meu companheiro! E fui toda para Paris, que é bom mesmo!

Impressões da Rússia

Mister Eco pede a Dolores Duran rápidas impressões sobre o propalado "paraíso soviético". Dolores tremelica as bochechas famosas e conta:

"Duríssima a vida nos países que visitei. Os russos vivem sem o menor conforto. Hospedamo-nos no melhor hotel de Moscou - o "Ukraina" - e nem nele, quanto mais nas residências particulares havia colchão-de-molas. E como eu não tenho prática noutra espécie de colchão, você pode imaginar... Por isso, reclamava sempre. Utilidades domésticas praticamente não existem para o povo. Não vi geladeiras, liquidificadores, torradeiras elétricas, nada! Não entendo de credos políticos, mas sempre ouvi dizer que o comunismo nivelava as classes sociais. Não é verdade. Na Rússia, pude observar a existência de duas classes sociais além dos chefões, naturalmente a dos pobres e a dos mais pobres. Creia que umas das coisas mais bonitas que achei quando retornei ao Rio foram as nossas favelas. São lindas e até poéticas. As de lá são muito piores, porque não tem nem a miséria dourada. É miséria negra, no duro.

Fomos visitados por um brasileiro, filho de russos, que chorou amargamente perante todos nós por não poder retornar ao Brasil. Lamentou nem poder nos convidar para visitar sua casa, aliás, "onde morava", porque lá não havia sequer um caixote onde alguém pudesse sentar. Nunca mais me esquecerei do sofrimento daquele nosso patrício.

Os músicos, bailarinos, artistas em geral são olhados com mais respeito que qualquer outra profissão. Talvez, por isso, e por sermos visitantes, fomos tratados com todo o cuidaddo pelos russos. Quando dizíamos que morávamos em apartamentos de um ou dois quartos, com dependências e que tínhamos programas em rádio e televisão com obrigação de trabalhar apenas uma vez por semana, sorriam incrédulos. Num quarto, na Rússia, moram até doze pessoas e há artistas que trabalham até dezoito horas por dia para ganhar 400 rublos mensais. Um quilo de carne custa quarenta.

Mas o povo é bom. Apesar  de nada dizer, sente-se o sofrimento nos seus olhos e nos seus trajos andrajosos. E - com toda sinceridade - tão bom como é o povo russo, dá pena de vê-lo viver como vive. Lenin, Lenin, Lenin, Lenin, nada além de Lenin. Lenin por todos os cantos, em gigantescas estátuas, retratos, bustos, pelas ruas, pelas paredes, na audição obrigatória - até nos transportes - de um programa de rádio transmitido às seis da manhã, diariamente, com o hino russo acompanhado de exortações leninescas. Isto enche! Certa vez, quando viajávamos num trem sujíssimo, cansados e abatidos, cortamos o fio do rádio no momento desse programa com uma tesourinha de unhas, para que pudéssemos dormir sem ouvir Lenin. Até hoje, devem estar procurando que provocou o "defeito".

Por isso, por tudo isso, foi que "peguei o meu boné" e parti para Paris. E talvez por isso, os "dirigentes" da "excursão" trataram de, com antecedência, enviar cartinhas difamatórias aos seus amigos sobre a minha pessoa e sobre os meus colegas. Eles sabiam que eu falaria. Eles sabiam que eu havia viajado somente como artista desejosa de aprimorar os seus conhecimentos, de ganhar dinheiro - ah! meus ricos dólares - e de ver novas terras.

Dolores conta mais. Fala de Paris e de Bruxelas, onde respirou liberdade. E para terminar, Mister Eco pergunta: "-E em Paris, você gravou também?". "- Gravei, sim. Gravei o meu nome numa árvore à margem do rio Sena.


Tito Ramalho, cantor brasileiro que vivia na Russia desde o final da II Guerra em 1945.

para ler mais sobre essa excursão: 

http://www.portalfeb.com.br/ii-guerra-obriga-cantor-brasileiro-a-viver-em-leningrado

Dolores Duran fala aos Comunistas - 1955



Eu sou do samba-canção’ 

Entrevista com Dolores Duran publicada no periódico Imprensa Popular, jornal do Partido Comunista Brasileiro de 1955, pós-colapso cadíacao.

Os interpretes brasileiros são preteridos pelos estrangeiros

A símpática ‘estrêla’ fala sôbre os problemas dos radialistas [Texto na 2ª página]



DOLORES DURAN, REVOLTADA:  

‘Os músicos nacionais são preteridos pelos estrangeiros’

O caso do conjunto ‘Os Copacabana’ – o artista de radio ainda precisa de muita coisa – Influência estrangeira e orquestração moderna – ‘Precisamos de paz para desenvolver nossas atividades artísticas’, afirma a jovem canotra – Reportagem de Radio-Escuta.

‘Pode entrar. Eu estou vivinha. Ainda não foi dessa vez, disse-nos sorridente Adiléia Silva da Rocha. Quem é Adiléia Silva da Rocha? – estará perguntando o leitor. E nós responderemos que se trata de Dolores Duran, cantora que recentemente teve um enfarte do miocárdio, preocupando os seus fãs, colegas e amigos.
Mas a moça agora já está recuperada. Ela mesmo nos diz:

- Quase que eu fui para o outro mundo, se é que existe isso. O médico me desenganou. Diziam que eu não escapava. Morreria na certa. Mas escapei. Aqui estou, pronta a voltar às minhas atividades.
E assim fomos ‘batendo um bom papo’ com Dolores Duran. Assuntos vários foram focalizados.

- Tenho 12 anos de rádio, - contou-nos – Comecei a cantar bem garota. Andei de Sêca a Meca. Veja: Tupi, em 1942; teatro infantil com Olavo de Barros; depois Rádio Clube Fluminense; a seguir Rádio Cruzeiro do Sul e Rádio Clube do Brasil. Finalmente, Rádio Nacional. Estou na Nacional há cinco anos e nesse período, licenciada, atuei na Mayrink, na Nacional paulista, na Jornal do Comércio, do Recife e na Rádio Carve, de Montevideo.

- Tudo isso?

- Por enquanto.

Apoio aos órgãos de classe


A uma nova pergunta, Dolores afirma:

- Eu gosto da vida. Gosto de viver, gosto de cantar, de ter amigos sinceros.

- Não. Já trabalhei num escritório. E certa feita fui obrigada a deixar o microfone, desgostosa com um caso de que fui vítima. Política de corredores, que me aborreceu.

- O artista de rádio está bem amparado?

- Não. Para o artista de rádio falta muita coisa. Nossas entidades profissionais precisam de assistência mais efetiva, de um apoio mais constante, para evitar que alguns colegas fiquem desempregados, sem ter onde trabalhar.

O telefone toca. Dolores atende. Promete comparecer a uma festa íntima.

- Eu sou sócia do Sindicato dos Músicos. – diz-nos – E sei que falta apoio a êste orgão. Qualquer músico estrangeiro vem ao Brasil e faz o que bem entende. Tudo em detrimento do músico nacional, que fica em situação de desigualdade. Quer um exemplo? Uma vez, numa ‘boite’, tôda uma orquestra nacional, ‘Os Copacabanas’, foi demitida para dar lugar a uma orquestra estrangeira.

Os ‘bambas’ da música popular


Fazemos uma referência à música popular brasileira. Dolores Duran entusiasma-se: - A música popular brasileira é uma coisa séria. Quanto a mim, gosto do samba-canção, embora aprecie também os outros gêneros.

- Tem particular preferência por algum compositor?

- Sim, mas por vários: Dorival Caymmi, Antônio Maria, Ismael Neto, Ary Barroso, Mario Lago, entre outros.

- Quais os nossos bons cantores?

- Lúcio Alves, porque sabe cantar e tem gôsto para escolher suas músicas. Ivon Curi, porque canta tudo bem. Sylvio Caldas, que não se precisa dizer por que.

- E as cantoras?

- Elizeth Cardoso, Doris Monteiro, Dircinha Baptista, Neusa Maria e Heleninha Costa.

Fã de Jorge Amado e Ehrenburg


Dolores Duran não despreza uma boa leitura. Asservera: Quando não trabalho à noite, fico lendo até tarde. Jorge Amado é o meu escritor preferido. Possuo todos os seus livros. Fiquei empolgada com ‘Os Subterrâneos da Liberdade’. Outros escritores de minha predileção, cada um em seu gênero: EhrenburgAlvaro MoreyraSomerset Maugham entre outros.

- Você gosta da música clássica?

- Gosto de qualquer música clássica ou popular. Admiro tanto Bach como o nosso Monsueto Menezes, guardadas as distâncias, é claro.

Intercâmbio com outros povos


- Que diz da influência norte-americana em nossos rítmos?

- Sou contra esta influência, notadamente em gêneros como a música folclórica, o samba corrido, o baião, o xaxado etc. Algumas músicas nossas estão ‘aboleradas’. Há gente, porém, que confunde isso com orquestração moderna. Eu sou contra a influência estrangeira na nossa música popular, porém sou a favor de orquestrações modernas sem desprezar, por exemplo, para um chorinho, a flauta, o cavaquinho e o violão.

- As nossas emissoras oferecem segurança aos seus artistas?

- Só algumas estações, que estão mais ou menos estáveis econômicamente. A maioria, porém, não oferece segurança alguma.

- Acha que devemos ampliar nossos contatos com os artistas e a cultura de outros povos?

- Sim, mas num plano de igualdade. O intercâmbio que existe atualmente, é favorável a um lado sòmente. Os artistas, que vêm de fora, têm tudo. Os nossos, que vão ao exterior, não tem nada.

- Quantos discos já gravou?

- Cinco, entre os quais estão as músicas ‘Canção da volta’, ‘Outono’, e ‘Praça Mauá’.

- Que pensa dos planos de preparação de uma nova guerra?

- Condeno intransigentemente. Precisamos de Paz, de tranquilidade para desenvolver nossas atividades artísticas.


Há uma foto de Dolores Duran segurando um disco, em frente a uma vitrola, com o texto: ‘Praça Mauá’, recente gravação da jovem cantora, está fazendo sucesso. E vendendo bem, segundo nos disse Dolores.


Dolores Duran 

Lendo nas entre-linhas o artigo sobre Dolores Duran publicado na ‘Imprensa Popular’, jornal do Partido Comunista Brasileiro, do Distrito Federal.

1. A ‘linha’ do PCB era nacionalista, portanto nada mais natural que o título da matéria fosse ‘Eu sou do samba-canção’.

2. Nota-se a preocupação em ‘denunciar’ a influência estrangeira na MPB, notadamente a norte-americana, que era vista como o ‘bicho-papão’ pelos teóricos do Partido.

3. Sendo um jornal comunista, não se poderia deixar de falar nos ‘artistas’ [leia-se: cantores e músicos] como uma ‘classe’, e a sua relação com os ‘patrões’ [as Emissoras]. Dolores coloca-se como membro do Sindicato dos Músicos e contra o tratamento dado aos músicos locais [Os Copacabanas] preteridos descaradamente em pról dos estrangeiros.



4. Dentro da literatura, nota-se a exaltação a Jorge Amado, conhecido membro do PCB. Inclusive, ‘Subterrêneos da Liberdade’, livro citado por Dolores, é a história romantizada do próprio Partido Comunista escrita pelo escritor bahiano. Entre os compositores aparece Mario Lago notório membro do PCB. Ehrenburg, poeta e romancista soviético é citado pela cantora, além de Alvaro Moreyra.

Ehrenburg, revolucionário de primeira hora na Russia, foi preso pelo regime reacionário czarista e exilado em Paris. Em Paris ele deixa um pouco a causa comunista de lado e vive a vida bohemia de Montparnasse, tornando-se amigo de Picasso, Diego Rivera, Modigliani. Acho que o elo com Dolores está justamente aí... Dolores era uma entusiasta de Paris... você nota isso em várias de suas entrevistas. Nos anos 20 Ehrenburg escreve romances modernistas que se tornam muito populares... e seu tema é justamente a Paris bohemia... Acho que é porisso que Dolores o incluiu entre seus favoritos.

Alvaro Moreyra, poeta e cronista gaúcho nascido em 1988. Viveu 2 anos em Paris [1913 e 1914]. A partir de 1942, teve destacada atuação no rádio brasileiro, onde além de escrever crônicas, também as interpretava. Participou do programa "Conversa em Família" e apresentava uma crônica diária de cinco minutos no programa "Bom-dia Amigos". Em 1958, recebeu o prêmio do melhor disco de poesia com os Pregões do Rio de Janeiro. Era casado com Eugênia Álvaro Moreyra, sua companheira de teatro e jornalismo, uma líder feminista, e sua residência em Copacabana era ponto de encontro de escritores e intelectuais.

5. Em 1955 vivia-se o auge da Guerra Fria, com os EEUU e URSS às turras, temendo-se até o início de uma III Guerra Mundial. Mistér se fazia a um orgão comunista, perguntar sobre essa eminência... e Dolores responde de acordo: ‘Precisamos de Paz e tranqüilidade para desenvolver nossas atividades artísticas’.

Partido Comunista Brasileiro, tinha muita influência no ‘meio artístico’. Mesmo tendo sido posto na ilegalidade em 1948, pelo governo reacionário do General Dutra, devido ao recrudecimento da Guerra Fria, uma boa parte da intelectualidade nacional era filiada ou simpatizante do PCB, fazendo que tivesse mais poder entre os intelectuais do que qualquer outro setor da sociedade brasileira.

Essa influência intelectual comunista continuaria mesmo depois do Golpe de Abril de 1964. O declínio dessa influência começa nos anos 70. Nos anos 80, com o aparecimento do Partido dos Trabalhadores [PT], o PCB vai minguando até desaparecer por completo. 



Radiolândia


Zezé Gonzaga & Dolores Duran

Sunday, November 18, 2012

Presos politicos trocados por embaixadores



leia detalhes em:  http://jeocaz.wordpress.com/2009/07/26/os-sequestros-que-abalaram-a-ditadura-militar/

Foram 4 sequestros de entidades estrangeiras no Brasil que abalaram a Ditadura Militar e fez mais raivosa ainda diante da humiliação internacional. Um período violentíssimo de 15 meses entre 4 Setembro 1969 a 7 Dezembro 1970.

4 Setembro 1969 - Charles Elbrick (embaixador norte-americano sequestrado no Rio)
11 Março 1970  -  Nobuo Okushi (consul japonês sequestrado em São Paulo)
11 Junho 1970 - Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben (embaixador da Alemanha)
7 Dezembro 1970 - Giovanni Enrico Bucher (consul da Suiça) 



Uma das exigências dos sequestradores do embaixador norte-americano era a publicação de foto dos prisioneiros políticos em frente do avião que os levaria a liberdade em terras estrangeiras na 1a. página do Jornal do Brasil. 


José Dirceu, lider estudantil prêso sendo transferido de prisão... 


preparando-se para o embarque...


39 presos políticos trocados pela vida do embaixador alemão Von Holleben, no 3o. sequestro espetacular. Fernando Gabeira aparece agachado a direita de camisa branca.



4o. e último sequestro de autoridade estrangeira no Brasil - 1970 

Troca da liberdade do Embaixador da Suiça, pela liberdade de 70 presos políticos.
POR ALUIZIO PALMAR ·

Sequestrado no Rio de Janeiro no dia 7 de dezembro de 1970 e solto 40 dias depois em troca da liberação de 70 presos políticos, Giovanni Bucher foi embaixador suíço no Brasil de 1966 a 1970.

O carro de Bucher foi fechado na Zona Sul do Rio de Janeiro pelos seqüestradores da organização clandestina VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).



antes do embarque para Santiago de Chile.


Tuesday, July 31, 2012

CARLOS MARIGHELLA


Maria Rita do Nascimento, baiana filha de escravos trazidos do Sudão, conheceu em Salvador o operário Augusto Marighella, imigrante italiano, recém chegado da região de Emília. Casaram-se e tiveram 7 filhos, entre eles Carlos Marighella, nascido em 5 Dezembro 1911. 
Carlos Augusto Marighella.
Carlos Marighella 'fichado' pelo regime de Vargas - Junho 1939.
Líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor do mundialmente traduzido "Manual do Guerrilheiro Urbano", Carlos Marighella atuou nos principais acontecimentos políticos do Brasil entre os anos 1930 e 1969, e foi considerado o inimigo número 1 da ditadura militar brasileira. Mas quem foi esse homem, mulato baiano, poeta, sedutor, amante de samba, praia e futebol, cujo nome foi por décadas impublicável? O filme, dirigido por sua sobrinha, é uma construção histórica e afetiva desse homem que dedicou sua vida a pensar o Brasil e a transformá-lo através de sua ação.
Carlos Marighella chega ao Rio de Janeiro após ser libertado pela anistia de abril de 1945.
cartão de filiação de Marighella ao Partido Comunista do Brasil.

Carlos Marighella discursa no Congresso Nacional no Distrito Federal em 1946.
 Bancada comunista Constituinte em 1946: Carlos Marighella, Luiz Carlos Prestes e Gregório Bezerra.

Fundado em 1922, o Partido Comunista Brasileiro conquistou a legalidade em janeiro de 1927. Poucos meses depois reverteram a medida e ficou proscrito até 1945, fim do 'Estado Novo' de Getúlio Vargas. Nas eleições de '45 seu candidato a presidência, Yedo Fiuza conquistou 10% dos votos e o Partido elegeu uma bancada com 14 deputados e 1 senador, Luiz Carlos Prestes. Em 1947, devido ao recrudescimento da Guerra Fria, o Presidente Truman dos EUA pressiona o presidente Dutra, e o partido é banido do Congresso (coisa que Truman não fez no país dele) e os mandatos de seus constituintes são cassados. Somente em 1979, com a Lei da Anistia, os comunistas voltam a se organizar, culminando na fundação do PT - Partido dos Trabalhadores e da legalização de todos os partidos políticos, incluindo aí o Partido Comunista do Brasil, conhecido como PC do B.


Marighella na redação do 'Jornal do Brasil' na Avenida Rio Branco, 118, Rio de Janeiro. 
Carlos Marighella em 1962, no Rio de Janeiro.

Carlos mostra onde a bala entrou. Na redação do 'Jornal do Brasil'. 

‎"Carlos Marighela, o "inimigo número um da ditadura militar", foi retratado pelo regime e órgãos de imprensa da época -  que servem o imperialismo até hoje - como um terrorista, um militante "radical e profissional", sem qualquer compaixão pelo ser humano e altamente perigoso. 

Em 1964, Marighella sofrera um atentado por policiais em plena sessão de cinema: oficiais invadem uma sala, atiram em Carlos Marighela, este sobrevive, resiste e é levado preso. Sua prisão e o relato da tentativa de assassinato pela repressão deram origem ao relato "Por que resisti a prisão", um documento político voltado à mobilizar a luta contra o regime. 

Assim sendo, todo esforço em criar a face do assassino cruel e desumano sinaliza alguma preocupação das autoridades acerca das possibilidades de Marigela credenciar-se como uma liderança ou mesmo um herói."  Texto: Paulo Marçaioli.


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Um dos mais célebres momentos da luta armada contra a ditadura foi o sequestro do embaixador norte americano Charles Burke Elbrick, em 4 Setembro 1969. Numa ação orquestrada em conjunto pelos grupos MR8 e ALN, o sequestro foi comandado por Virgílio Gomes da Silva e resultou na libertação de 15 presos políticos, entre eles figuras ilustres como Gregório Bezerra, Onofre Pinto e José Dirceu. Os acontecimentos foram imortalizados no livro de Fernando Gabeira 'O que é isso, companheiro?', que viria a ser filmado por Bruno Barreto e no documentário de Silvio Darin Hércules. Exatamente 2 meses após o sequestro, Marighella foi encurralado e morto.

Wednesday, July 11, 2012

CAFÉ FILHO 1954 - Mediocridade na Presidência

Com o suicídio de Getúlio Vargas, subiu à Presidência quem nunca sequer sonhara em ser o mandatário maior da Nação: Café Filho, um obscuro político do Rio Grande do Norte, que era parte da 'corriola' do 'coronel' político paulista Adhemar de Barros, representante da oligarquia do café. Adhemar, por ironia do destino, nunca conseguiria o que seu 'minion' tirou de letra: ser Presidente da República, mesmo sendo mediocre e inépto. 
Enterro do ex-presidente da Republica (1922-1926) Arthur Bernardes, que morreu em 24 Março 1955, exercedo o cargo de deputado-federal por Minas Gerais. A esquerda o deputado Carlos Luz, Presidente da Câmara dos Deputados e a direita Café Filho, Presidente da República.

Café Filho era 'cria' de Adhemar de Barros, que de-repente se viu alçado à Presidência da República devido ao suicídio de Getúlio Vargas, acossado pela vil U.D.N. 
João Fernandes Campos Café Filho 

* 3 Fevereiro 1899  em Natal-Rio Grande do Norte + 20 Fevereiro 1970 no Rio de Janeiro-RJ. 

Presidente do Brasil entre 24 Agosto 1954 e 8 Novembro 1955, quando foi deposto. 

Café Filho, educado em escola da Primeira Igreja Presbiteriana de Natal, trabalhou como jornalista e advogado, tendo participado da Aliança Liberal na campanha de 1930. Em 1933 fundou o Partido Social Nacionalista [PSN] potiguar, sendo eleito deputado federal em 1934 e 1945. 

Em 1946, entra para o Partido Social Progressista [PSP] fundado, em São Paulo, por Ademar de Barros, em junho de 1946. 

Em 1950 foi indicado para vice-presidência na chapa de Getúlio Vargas, fazendo parte do acordo feito por Adhemar de Barros para apoiar Getúlio.

Com o suicídio de Vargas, em 1954, assumiu a Presidência, exercendo o cargo até novembro de 1955, quando foi afastado do cargo por motivos de saúde, assumindo em seu lugar Carlos Luz, presidente da Câmara, logo em seguida deposto por tentar impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Seu governo foi marcado pelas medidas econômicas liberais comandadas pelo economista Eugênio Gudin.

Nas eleições presidenciais de 1955, o candidato Juarez Távora (UDN), apoiado por Café Filho foi derrotado por Juscelino Kubitschek (PSD), e pelo vice João Goulart (PTB). 

Sob a ameaça de golpe arquitetado pela UDN e uma ala do Exército, Café Filho manteve-se indiferente quanto ao respeito às instituições, o que levou o general Henrique Teixeira Lott, seu ministro da Guerra, a desferir um golpe de Estado preventivo para garantir a posse de Juscelino e a manutenção da democracia no Brasil.

Alegando questões de saúde, Café Filho licenciou-se do cargo de presidente da República alguns meses antes de Juscelino ser empossado, assumindo interinamente Carlos Luz, então presidente da Câmara. Por pressão do general Lott, Carlos Luz foi deposto e impedido de governar, assumindo a presidência interina Nereu Ramos, então vice-presidente do Senado, ocasionando um estado de sítio e impedimento de Café Filho. A exclusão dos golpistas apoiados pela UDN assegurou a posse dos já eleitos JK e Jango.

O golpista Carlos Luz não teve tempo nem para usar a faixa presidencial, pois foi deposto pelo Marechal Teixeira Lott,  em um golpe preventivo, para assegurar as posses do presidente eleito Juscelino Kubitscheck e o vice João Goulart. Carlos Luz foi presidente do Brasil por apenas 4 dias. 

11 Novembro 2015 - Há 60 anos Presidente Carlos Luz era deposto

por André Araújo em 11 Novembro 2015 no blog de Luis Nassif.

Há 60 anos, em 11 Novembro 1955, o Presidente Carlos Luz, 2o. na linha de sucessão como Presidente da Câmara dos Deputados, agora empossado na Presidência da República devido a doença do ex-Vice-Presidente Café Filho, era deposto por um contra-golpe preventivo do Ministro da Guerra, Marechal Henrique Teixeira Lott, considerando que Luz estava na conspiração visando impedir a posse de Juscelino Kubistchek, presidente eleito em 3 Outubro 1955 pela coligação entre o Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Trabalhista (PTB), ambos herança de Getúlio Vargas. 

O grupo anti-Juscelino era grande e poderoso. Havia elementos na Aeronáutica, parte menor mas vociferante no Exercito, na UDN e seus satélites e anexos, na Grande Imprensa (sempre golpista) e no que se poderia rotular de 'forças conservadoras'. JK era tido como expressão do grupo getulista (PSD), tendo um vice-presidente do PTB (João Goulart), embora tenham sido eleitos em chapas separadas, pois naquele tempo votava-se separadamente para Presidente e Vice-Presidente.

Carlos Luz calculou mal seu próprio poder naqueles dias conturbados. Para facilitar o golpe contra a posse de JK mandou chamar o Ministro da Guerra, considerado adepto da legalidade constitucional e portanto pró-Juscelino e avisou que estava demitido, devendo entregar o cargo ao novo indicado, General Reformado Alvaro Fiúza de Castro. Marcou a transmissão de cargo para o dia seguinte, mas antes quis humilhar Lott e o deixou esperando na ante-sala do Palacio do Catete por duas horas.

Cada vez que a porta do gabinete presidencial abria Lott ouvia muitas risadas e barulho de copos de whiskey circulando.

À noite, o Marechal Odilo Denyz, liderança respeitada no Exercito, às 2 da madrugada bateu à porta de Lott, eram vizinhos, e convenceu-o a depor o Presidente Carlos Luz porque ele e seu grupo pretendiam impedir por alguma manobra a posse do Presidente eleito. Agent provocateur Carlos Lacerda bradava n' A Tribuna de Imprensa, que Juscelino era legado de Getúlio e não poderia governar e a imprensa golpista ecoava Lacerda, agitando e tumultuando o ambiente politico. O que faz hoje a TV Globo, jornalões de S.Paulo e revista Veja contra a Presidenta Dilma Rousseff.

Carlos Luz pensou que era o Rei da Cocada-Preta por 4 dias... até ser deposto pelo Marechal Lott num contra-golpe fulminante. A direita teria que esperar mais 9 anos para conseguir fazer - agora com a ajuda essencial dos USA - o que não conseguiu em 1955. 

Nas primeiras horas de 11 Novembro 1955, Lott cerca o Palácio do Catete e Carlos Luz foge para o cruzador Tamandaré, sendo a Marinha força ao lado dos conspiradores anti-democráticos. Lott chama o Presidente do Senado, Nereu Ramos, 3o. na linha de sucessão e lhe dá posse imediatamente. 

Carlos Luz e seu grupo, com Carlos Lacerda e lideranças da UDN embarcam no Tamandaré rumo à Santos-SP, esperando apoio do Governador Jânio Quadros, que sequer os atende. 

O contra-golpe de Lott triunfa e Nereu Ramos entrega a Presidência à Juscelino em 15 Janeiro 1956. 

Lott teve menos trabalho para depor o Presidente Carlos Luz do que um soldado teria para trocar o pneu de um caminhão do Exercito. 

Foi cunhada uma frase supostamente dita por Lott considerando o contra-golpe 'um retorno aos quadros constitucionais vigentes'; na realidade a frase fora dita por Otto Lara Rezende, intelectual amigo de Lott. Como consequência, Juscelino teve Lott como Ministro da Guerra do 1o. ao último dia de seu mandato, garantindo-lhe absoluta tranquilidade na área do Exercito (mas não da Aeronáutica).   

Presidente do Senado Nacional, o catarinense Nereu Ramos, é empossado Presidente da República em 11 Novembro 1955. A farsa direitista de Carlos Luz & Carlos Lacerda chegara a um final melancólico (para eles, obviamente).  

Nereu Ramos foi presidente da República  de 11 Novembro 1955 a 31 Janeiro 1956: 2 meses e 21 dias. 
O catarinense Nereu Ramos transmite o cargo de Presidente da República ao mineiro Juscelino Kubischek, tendo ao lado o Vice-Presidente gaúcho, João Goulart em 31 Janeiro 1956.
Café Filho, o calvinista potiguar aético, com a atriz Dulcina de Moraes, quando ainda achava que podia se aliar a golpistas anti-democráticos e tudo acabaria bem... Ele só não contava com a presença decisiva do Marechal Lott. 
dona Leonor Mendes de Barros em tempos jovens. Leonor foi sempre companheira fiel de seu ladino marido Adhemar

Friday, July 6, 2012

EURICO GASPAR DUTRA 1946 Presidente


O novíssimo Presidente Dutra em seu escritório, na capa da revista Carioca de 2 Fevereiro 1946.


Dutra candidatou-se pelo Partido Social Democrático (PSD), em coligação com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sendo o candidato apoiado por Getúlio Vargas, e venceu as eleições de 2 de Dezembro de 1945, com 3.351.507 votos, superando, à direita, Eduardo Gomes da União Democrática Nacional (UDN) e , à esquerda, Iedo Fiúza do Partido Comunista do Brasil (PCB).

Para vice-presidente, a escolha recaiu sobre o político catarinense Nereu Ramos, também do PSD, eleito pela Assembléia Nacional Constituinte de 1946. Quando Dutra foi eleito presidente, ainda estava em vigência a constituição de 1937, que não previa a figura do vice-presidente.

Dutra assumiu o governo em 31 de Janeiro de 1946, juntamente com a abertura dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, em clima da mais ampla liberdade. O pacto constitucional surgiu do entendimento dos grandes partidos do centro liberal, o PSD e a UDN, embora ali tivessem assento atuantes bancadas de esquerda, como as do Partido Comunista do Brasil - PCB  e PTB. Dutra não interferiu nas decisões, mesmo quando teve seu mandato reduzido de seis para cinco anos, pois fora eleito na vigência da Constituição de 1937 que previra mandato de 6 anos.

O quinquênio presidencial, que começara com a proibição do jogo no Brasil - abril de 1946, entraria no ano de 1948 em sua fase mais característica, marcada pelo acórdão do Tribunal Superior Eleitoral que cassou os mandatos dos parlamentares eleitos pelo PCB - 1947, e depois pela ruptura de relações com a União Soviética em 1948.

Era a Guerra Fria, capitaneada pelos Estados Unidos, dividindo o mundo entre 'comunistas' e 'capitalistas'... O governo de Dutra se pautou pela total aderência ao 'credo' norte-americano. 




Heitor Muniz, diretor da 'Carioca' escreve um editorial esperançoso em relação ao novo Presidente. Mal sabia que o General Dutra seria um pusilânime fantoche nas mãos da Reação nacional e do agressivo Imperialismo norte-americano.


A cara do govêrno do General Dutra: na Justiça, Carlos Luz, futuro golpista;  Neto Campello na agricultura; brigadeiro Armando Trompovski na aeronáutica; o bahiano Hildebrando de Góis como prefeito.


Ministros do govêrno Dutra:  industrial Gastão Vidigal [SP] representa a oligarquia paulista na Fazenda [economia]; o gaúcho João Neves, ex-embaixador em Portugal, no ministério do Exterior; cel. Edmundo Macedo Soares na Viação [?]; Octacílio Negrão de Lima [antigo prefeito de Belo Horizonte-MG] no Trabalho; General Góis Monteiro no ministério da Guerra; almirante Dodsworth Martins na Marinha.


No ministério da Educação o sr. Souza Campos; chefe da Casa Civil o dr. Alfredo Monteiro e na Casa Militar o gal. Alcio Souto.

Cinco ministros militares entre os 14 postos. Isso implica que um terço do governo era composto de militares, mais o chefe de estado, General Dutra. Não aparece me foto o dr. Pereira Lira, no Departamento Federal de Segurança Pública. 


Luz headed the government only two days in November 1955 and was deposed by the Minister of Defense Teixeira Lott over his fear that Luz may support a plot to prevent President-elect Juscelino Kubitschek from taking office.

Foi também deputado federal constituinte em 1934, e presidente da Caixa Econômica Federal, entre 1939 e 1945.

Depois do Estado Novo filiou-se ao PSD. Foi ministro da Justiça no governo de Eurico Gaspar Dutra.

Assumiu a presidência da república por ser presidente da Câmara dos Deputados, em função do afastamento, por motivos de saúde, do presidente Café Filho, vice-presidente de Getúlio Vargas, que cometera suicídio no ano anterior (1954).

Presidente interino da República, de 8 a 11 de Novembro de 1955, tendo, deste modo, tornado-se o presidente do Brasil que ocupou a cadeira presidencial por menos tempo: apenas 4 dias.

Carlos Luz foi afastado desta função por um movimento militar denominado Movimento de 11 de Novembro, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott.

Com o apoio do PSD, foi declarado o impeachment de Carlos Luz no Congresso Nacional, sob acusação de conspiração para não entregar o poder ao presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Carlos Luz estava a bordo do Cruzador Tamandaré para evitar qualquer represália em terra e seguir para Santos, onde seria feita a resistência. O navio foi alvo de disparos pela artilharia do exército, porém não revidou, devido a solicitação de Carlos Luz.

Na ocasião, o Cruzador Tamandaré era o navio mais bem equipado da Marinha do Brasil e caso revidasse teria provocado grande número de baixas.

A presidência foi, assim, entregue ao 1º Vice-presidente do Senado Federal, Nereu Ramos.

Yedo Fiuza, candidado a Presidente do Brasil em 1945, pelo Partido Comunista do Brasil.
Luiz Carlos Prestes, candidato a senador pelo PCB e Diógenes Arruda em comício em 1945.
Maurício Grabois e o Barão de Itararé. Sede nacional do Partido Comunista do Brasil no Rio de Janeiro-DF.

Mauricio Grabois começou a carreira política como militante da Juventude Comunista, a ala jovem do Partido Comunista do Brasil. Em 1934, aos 22 anos, já era a dirigente da entidade. Ingressando na Aliança Nacional Libertadora, uma facção do PCB que tentou a luta armada, ajudou a organizar a Intentona Comunista de 1935 e, após o fracasso da insurreição, editou clandestinamente o jornal 'A Classe Operária', que existe até hoje, e dirigiu Vitória, editora do partido PC do B. Foi preso no verão de 1941 e solto no ano seguinte.



Com a orientação do Komintern para que os partidos comunistas apoiassem os governos locais que lutassem contra o Eixo e a entrada do Brasil em 1943, na II Guerra Mundial do lado aliado, o PCB organizou a Conferência da Mantiqueira. A comissão organizadora do evento foi chefiada por Grabois. Na ocasião, foi eleito para o Comitê Central do partido.



A derrubada de Getúlio Vargas e a legalização do PCB levaram o partido a entrar na vida democrática institucional brasileira, e Grabois foi eleito deputado federal como companheiro de chapa de Prestes, eleito senador. Participou da Assembléia Constituinte de 1946 e liderou a bancada comunista, que tinha então 14 deputados - entre eles Jorge Amado. Também foi membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.